Há mais de cinco anos a acompanhar os criadores Mónica Calle, João Garcia Miguel, Lúcia Sigalho, Miguel Moreira, Paulo Castro, Susana Vidal e os Circolando, a cineasta acompanhou o processo criativo deste artistas. Com o alto patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian, este filme revela uma viagem íntima aos bastidores da nova criação de vanguarda das artes do espectáculo em Portugal.

A criação artística é feita de contaminações e comunicação permanente. Muitos destes criadores entraram, como actores, nos filmes da realizadora. Deste movimento pendular de afinidades, nasce esta narrativa que traz novas reflexões sobre o acto criativo no nosso país.


Palcos, espaços não convencionais, espaços invisíveis da criação de vanguarda em Portugal, testemunhos, revelações num trabalho de montagem com mais de 400 horas de material cinematográfico.


Como se cria em Portugal?

Como se reinventam estes criadores do “hoje”?

Quais os motivos do seu trabalho?

O que os faz continuar a criar?


CARTA DA REALIZADORA


Quando falo de novos criadores, não falo de cor. Falo do coração.

Porque os conheço, porque  trabalhei e trabalho com vários, porque sou fã incondicional de outros, porque sou observadora atenta de outros ainda, porque sou amiga intíma de alguns.

São a minha tribo. A minha identificação cultural nacional vem deles e é para eles, num movimento pendular caótico.

Esta é a minha cara.

Porque me reconheço nessa condição, me sinto com vontade de os confrontar com as suas criações, com a sua contemporaneidade, com a sua vontade indómita de criar, sem dinheiro, sem fama, sem apoios significativos, eles continuam. Nada os pára.

Eles são os verdadeiros artistas, numa época como a nossa, tão cinzenta, em que a cultura contemporânea é completamente desvalorizada pelo poder e insultada de luxo e ruído. Lixo. Vã.

Eles, os criadores contemporâneos são a nossa alma. O que resta dela. A sua sombra, o seu suspiro. A salvação da alma portuguesa passa também por eles, ao contrário do que o poder pensa. Porque eles têm o verdadeiro poder: o criador. Porque eles, sim, ficarão para a história do nosso país.

Porque eles concretizam os nossos mais belos sonhos e os nossos piores pesadelos.

Porque eles são o sangue vermelho que nos corre nas veias.

E um país sem criadores é como um ser humano sem sangue : morre.

É contra esta morte lenta que eu fiz este documentário.

Com a urgência de quem sente a corda apertar na garganta.

Com a necessidade de quem vive na corda bamba, sem rede.

Filmei-os, confrontei-os, interroguei-os, violentei-os, mastiguei-os, abri-os ao meio.

Raquel Freire

esta é a minha cara

criadores das artes do espectáculo em Portugal

no século XXI  2’23’’

this is my face

avant-garde creators of performative

arts in Portugal in the XXI century

Realização produção câmara som Raquel Freire Montagem Helena Alves

Misturas Tiago Matos

Projecto escrito por Ana Vicente e Raquel Freire

Câmara extra Tomás Rezende

Perche extra Jaime Vogado e Edgar Medina

SOS Save Our Souls


um documentário de guerrilha

para o 20º aniversário

do SOS Racismo

com ondjaki

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